Valentina Acierno
Vicens Vidal
Victor Rahola
Xabier Eizaguirre
Xabier Unzurrunzaga
Xavier Fàbregas
Xavier Monteys
Xavier Rubert de Ventós
Zaida Muxí
Àlex Giménez
Amador Ferrer
Angel Martín
Anton Pàmies
Antoni Llena
Antoni Marí
Antonio Font
Aquiles González
Ariella Masboungi
Axel Fohl
Beth Galí
 
Coisas que devemos a Manuel Solà:
1. Conhecemo-nos
nos últimos anos 60 entre os encontros de Barcelona (Pequeños Congresos) e a coincidência em Cambridge (LUBF) e percebemos que a nossa geração teria a responsabilidade de repensar questões como os sistemas de planeamento e governo local, as prioridades dos traçados, as morfologias urbanas e ainda a interpretação da história da urbanização - dos ensanches à expansão contemporânea. Ambos nos ocupávamos de centros de pesquisa e de ensino- e esperávamos a democracia nos nossos países.
Em 1971, recebemos o M.S. chegado dos EUA, para um cursillo de modelos de planeamento em Lisboa. Três anos mais tarde, após a revolução dos cravos, voltou a Lisboa quando, secretário de estado do governo provisório, convoquei uma dúzia de amigos de diversas origens e formações e nos fechámos dois ou três dias a discutir as políticas possíveis - na altura centradas na prioridade da habitação social. Daí saíram programas como o SAAL, as cooperativas e a reabilitação das áreas históricas.
2. Outros tantos anos mais tarde, foi a vez da mudança política em Espanha e dos colegas de Madrid contratarem alguns consultores para o ambicioso plano general (sob direcção de Mangada e Leira): além de mim, Campos-Venuti, Secchi e Manuel.
Ao longo desses anos continuámos a pensar em comum, participando no curso de doutoramento da ETSAB. Entre os anos 70 e 90 o LUB publicou pesquisas de enorme importância e actualidade que vieram a informar -quando regressei a
Portugal, agora à Escola do Porto- a criação do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo, que se ocuparia com a urbanização extensiva (do nosso Noroeste) e participaria -como consultor- na produção de planos e projectos urbanos para municípios e campus universitários da região. Mantivemos então uma estreita relação com a urbanística barcelonesa e os colegas da ETSAB/LUB, como foi o caso de “Explosió de la Ciutat” que compara regiões urbanas europeias.
3. Um dos méritos de S.M. foi o de juntar no LUB, ainda antes do cambio, um notável grupo de colaboradores-autores que, partindo das teses inovadoras sobre o “modelo de Barcelona”, discutiam temas como “o espaço e o tempo”, as “formas do crescimento”, o “projectar a periferia”… conseguiram oportunidades de aplicação já na transformação democrática do poder local e regional. Do laboratório das ideias passaram ao laboratório do plano-projecto, projecto-urbano e da cidade extensiva. E finalmente a capacidade de exportação para outros países europeus e sul-americanos.
É verdade que esse quarto de século (1975-2000) teve em Portugal um percurso paralelo, em particular no “eixo” Catalunha - Galiza - Noroeste Português.
4. É interessante recordar que nos anos 80 -tempo de entrada na EU (e seu FEDER) em ambos os países ibéricos, já com dirigentes locais e nacionais eleitos- consolidaram-se os planos convencionais mas também emergiram os “projectos-urbanos” em resposta a oportunidades e outras prioridades. As culturas dominantes e os projectistas mais respeitáveis só viam reabilitações das áreas consolidadas, enquanto as áreas
urbanas extensivas e entre-cidades se estudavam em laboratório e a sua reurbanização estruturante se adiava.
5. M.S. tinha plena consciência de que a investigação (não historiográfica) que então nos preocupava incluía necessariamente o confronto com a experimentação na realidade: aprender fazendo e avaliando resultados. Do “molle” à “illa” foram ensaios inovadores nesse sentido, em paralelo com as oportunidades dos “jocs” em que os teóricos do LUB de Busquets a Font se destacaram pela visão ampla da cidade extensiva (centralidades, acessibilidades, etc.)
Esta dialéctica investigação/projecto (e vice-versa) em que também nos aplicámos em Portugal -com as oportunidades do campus de Aveiro, da Expo de Lisboa e a reurbanização de municípios periféricos do Noroeste- não seria possível sem o trabalho teórico e reflexivo (então já transdisciplinar) das décadas anteriores.
6. Não nos surpreendeu, por estas razões, a dedicação absoluta de M.S., nas últimas décadas, à produção de projectos e textos críticos em países tão diversos -como se tivesse pouco tempo para nos deixar o seu legado- e que atravessam, à luz de hoje, as responsabilidades múltiplas com os territórios do urbano onde quer que estejam ou como sejam. Polémicos quando necessário, assertivos quanto possível.
Uma confissão final:
Afinal não era o N.P. “o homem que sabia demais” (tal como escreveu M.S. no prefácio do meu último livro). Esse homem era ele próprio, o Manuel, que muito me ensinou ao longo de quatro décadas de convivência inesquecível. / Porto